“Viver de arte onde panelas ainda se encontram vazias”

Para evitar se envolver em brigas de gangues de rua, a dança ganha papel de protagonista nas vidas de muitos jovens, hoje considerados Old School no movimento Hip Hop. Sim, estamos falando do breakdance, breaking ou mais conhecida como dança de rua, manifestação popular nascida em Nova York na década de 70. O elemento é uma cultura, apresenta influências e estilos variados, é motivo para a formação de inúmeras crews - organizadas por B-boys e B-girls - e é papo levado a sério, seja na rua ou em campeonatos a nível mundial.


Enquanto fazia um trabalho de pesquisa escolar de tema “Hip Hop”, Denis Giaconto, em 2006, na época com 17 anos, descobre que na quadra do Centro Esportivo em Francisco Morato (SP) - cidade natal - havia grupos de jovens que se reuniam todos os dias para praticarem Breaking. Capoeirista e entendedor do estilo chamado “Black charme”, conta que teve facilidade em aprender os movimentos acrobáticos exigidos, entretanto, dificuldades em acompanhar o ritmo, conforme a batida do som.


O esforço em aperfeiçoar-se compensou já que Denis Giaconto, 24 anos, fez parte do Grupo Crewest, desde 2010 faz parte da segunda formação do grupo a Nossa Crew e atualmente coleciona títulos. Foi 1° Lugar Arena Caieiras 1 vs 1 2012 (SP), 1° Lugar Red Bull Bc One cypher 2011 (SP), semifinalista no programa ‘Vai Dançar’ 2012 no Multishow, 3° Lugar Red Bul Bc One Qualifier Sul-americana 2011 (BA), participou do ensaio fotográfico ‘B.boys in moution’, exposto pela Red Bull em Moscou, do documentário ‘Quando o B.boy encontra a Bahia’ pela mesma marca, faz parte da ala especial da bateria da Escola de Samba Mocidade Alegre (SP) no carnaval 2013 entre tantas outras participações.


Questionado sobre sua opção profissional, afirma que escolheu a dança como forma de arte devido à capacidade que a dança proporciona ao expressar-se, sem o uso de palavras. “Atravesso distâncias, desejos e limites com um simples cinco, seis, sete, oito”, expõe.


O Breaking, apesar de lhe render bons títulos, foi apenas a base. Em busca de novos horizontes, quebrou barreiras, não deu ouvido a críticas desfavoráveis e hoje frequenta aulas de Ballet clássico, teatro e dança de salão. “No mundo da dança já tive experiências como, dançarino, instrutor, monitor, coreógrafo, cenógrafo e jurado em competições a nível estadual. Apesar da dificuldade e do preconceito, vivo da arte. Tenho como refrão pessoal um verso de uma música de Slim Rimografia: cada escolha tem um preço, eu sabia que fácil não seria, viver de arte onde panelas ainda se encontram vazias, aos cantos olha sem esperança mirando um horizonte, onde o sol nasce, mas a esperança ainda se esconde”, conta Denis Giaconto.


Mais informações


Nossa Crew: http://nossacrew.weebly.com/index.html

Denis Giaconto: http://www.facebook.com/messages/denis.giaconto




PUBLICADO EM REVISTA REBOSTEIO - 5ª EDIÇÃO | 2013


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Tamires Santana

Tamires Santana é um ser vivo, dotado de inteligência e conhecimento (até que se prove o contrário). É pai, mãe e espírito - nem um pouco santo. Estuda, trabalha, busca, anda — principalmente de trem e bicicleta. Chegou a conclusão de que quanto mais se busca, menos se sabe. Gosta de falar sobre arte, cultura, cultura popular, política, economia solidária, design, religião, índio, folclore brasileiro, samba, carnaval, literatura infantil, ciência, criança,
desenho animado, cinema, plantas, minhocas, compostagem e um montão de outras coisa. É adepta da
filosofia de vida "é pra frente que se anda".

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