O cenário da dança em Caieiras

Reflexão sobre a dança na cidade de Caieiras e o despertar pelo uso da máquina do corpo por meio da expressão, plasticidade e sutileza da dança


Nenhuma outra espécie do reino animal, que não apenas nós, seres humanos, temos a capacidade de ouvir uma música e já começar a remexer os esqueletos, mesmo que inconscientemente. Esta sincronização encontra-se na essência da dança: conjunto de movimentos, ritmos e representações gestuais. Dançar está além de meros passinhos ou, na linguagem dos neurocientistas, na ativação da região do córtex parietal posterior – na parte de trás do cérebro. Para muitos, é estilo de vida e, para tantos outros, a oportunidade em desenvolver trabalhos sociais e para pessoas invisuais, além de incluir pessoas com deficiência física e mental.


Para quem sempre desejou ser dançarino(a), nascer com o dom dos passos sincronizados não é bem o fator chave para alcançar o anseio. A depender do estilo, o biótipo, desejo pessoal e, sobretudo, a perseverança é o que vai imperar. “A principal exigência é o prazer de dançar, a dedicação, disciplina, o esforço”, assegura Simone Lacerda, professora de dança e há dezenove anos bailarina. A exemplo e inseridos num misto de força, delicadeza, suavidade e persistência, além de Simone e Adriana, nomes como Chaveirinho, Chuim, Zahira, Denis Fumagali e Hayra Fuad são alguns dos que conseguiram se projetar positivamente para outras partes do Brasil e/ou exterior, sendo muitos deles, referência quando se fala em dança na região, conforme a modalidade atuante.


Por outro lado, o cenário da dança em Caieiras ainda ganha sensíveis olhares por parte da população e, consequentemente, estruturação de forma progressiva. “É notório que artistas da dança de Caieiras já estão mais engajados. Nota-se as polarizações de seguidores de nichos específicos. Podemos citar a Dança de rua com grande número de praticantes na cidade e com eventos que mostram este desenvolvimento. Assim acontece com o ballet, dança de salão, dança do ventre... Em curto espaço de tempo estes eventos acontecerão com mais periodicidade devido as demandas dos bairros”, afirma Adriana Silva, professora de dança, coreógrafa, educadora física, pesquisadora na área de dança e gerontologia, agente cultural, estudante de Direito e há 25 anos bailarina.

A exemplo de Francisco Morato, município apoiador da modalidade dança há pelo menos vinte anos, atualmente muitos dos artistas advindos de projetos, incentivados pela gestão pública, fazem parte da força motriz dançante da cidade. Dançarinos que se beneficiaram de projetos municipais de fomento à dança e que hoje mantêm grupos atuantes em academias e entre tantos outros projetos, aumentando o círculo cultural. Adriana explica que Caieiras é uma cidade rica em talentos, porém, a maior parte dos bailarinos atua fora da cidade, buscando qualificação e emprego em lugares onde a dança é referência. “À medida que a cidade cresce e se desenvolve, há uma busca maior por qualidade de vida social, despertando o desejo e a necessidade de investimentos públicos e/ou particulares na área cultural”, afirma. “Percebemos um aumento na procura por cursos de dança na cidade, aos participantes, maior interesse em aperfeiçoar seus conhecimentos e oportunidade de participar de eventos que acontecem na cidade”, complementa Simone.


Com percalços a ser superado seja no dia a dia ou na estrutura como um todo, há muito suor a ser derramado. Dançar é: “humanizar. É um por cento inspiração e noventa e nove transpiração”, Adriana define.





PUBLICADO EM REVISTA CONDOMÍNIOS | 2014

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Tamires Santana

Tamires Santana é um ser vivo, dotado de inteligência e conhecimento (até que se prove o contrário). É pai, mãe e espírito - nem um pouco santo. Estuda, trabalha, busca, anda — principalmente de trem e bicicleta. Chegou a conclusão de que quanto mais se busca, menos se sabe. Gosta de falar sobre arte, cultura, cultura popular, política, economia solidária, design, religião, índio, folclore brasileiro, samba, carnaval, literatura infantil, ciência, criança,
desenho animado, cinema, plantas, minhocas, compostagem e um montão de outras coisa. É adepta da
filosofia de vida "é pra frente que se anda".

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