Projeto ‘Roda de Conversa’ proporciona a educadores discutir sobre cultura afro-brasileira na rede d


Ao se deparar com o desafio em cumprir a Lei 10.639/2003, professores formulam projeto e traz a tona discussões sobre cultura afro-brasileira na sala de aula


Professores de um lado, alunos do outro e a Lei nº 10.639/2003 no meio. Uma relação nem sempre harmônica, pois como grande parte das leis brasileiras, a teoria não anda de mãos dadas com a prática. Foi vivenciando e observando as dificuldades de profissionais da rede de ensino que Joice Mendonça, 33, professora de História da rede Estadual e privada, teve a iniciativa de formular e propor o projeto "Roda de Conversa sobre cultura Afro-brasileira", que aborda discussões em torno da cultura afro-brasileira.


A necessidade surge a partir das dificuldades com que os profissionais de ensino de educação estão enfrentando ao aplicar a Lei 10.639/2003 – que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira”.


“O projeto nasceu da necessidade de se ter algo onde pudesse falar da realidade de Caieiras, a verdade que muitos não conseguem dizer: a pobreza, a periferia, a existência negra dentro da cidade e dentro das escolas também”, conta a professora Joice. Ainda com a ideia em construção, o convite foi feito para algumas pessoas, entretanto, sem sucesso. “Foi então que a minha irmã me ‘lembrou’ do Willians Henrique. Assim que passei para ele a ideia, ele topou na hora. Durante as conversas, decidimos que o nome do projeto seria Roda de Conversa sobre Cultura Afro-brasileira e os encontros seriam realizados com base na oralidade participativa, assim como alguns povos faziam na África”, explica.


O projeto foi realizado inicialmente na Câmara Municipal de Caieiras, contando com o apoio do vereador Paulão do Sítio e, a partir da quarta ação, passou a realizar-se na Faculdade Metropolitana de Caieiras, ganhando um formato mais acadêmico.


No ano de 2012 teve quatro temáticas sob as quais a 1ª foi “O negro em foco”, com os palestrantes Samoury Mugabe (Articulação Política da Juventude Negra) e Jaqueline Lima (Doutoranda em Antropologia Social pela UNICAMP), discutindo a questão do negro nos dias de hoje; A 2ª sob o tema “Musicalidade”, com os palestrantes Profº Ms. Marcelo Lima (O Mandruvá) e o Raper Manó Axé (Império Z/O); A 3ª discutiu “África em sala de aula”, com o palestrante Profº Willians Henrique e a 4ª o “Genocídio da juventude negra”, com Samoury novamente.


“Nosso objetivo maior é levar essa Roda para dentro das escolas para podermos atingir alunos e professores, sempre com a temática negra. Contaremos com a participação de pessoas que, embora não sejam educadores, se identifiquem com a temática afro-brasileira. Assim, juntos possamos alcançar e ocupar espaços antes não ocupados”, afirma.


A articulação continua e no primeiro encontro do ano, previsto para acontecer no início de fevereiro, os participantes serão convidados a colaborar no planejamento dos assuntos abordados no decorrer de 2014, levando em consideração a realidade e necessidades existentes nas salas de aula. “Não podemos parar por aqui. A caminha é dura, difícil, mas nos manteremos firmes. Partiremos sempre de nossas realidades, vivências dores e também conquistas”, completa.




PUBLICADO EM REVISTA CONDOMÍNIOS | 2014


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Tamires Santana

Tamires Santana é um ser vivo, dotado de inteligência e conhecimento (até que se prove o contrário). É pai, mãe e espírito - nem um pouco santo. Estuda, trabalha, busca, anda — principalmente de trem e bicicleta. Chegou a conclusão de que quanto mais se busca, menos se sabe. Gosta de falar sobre arte, cultura, cultura popular, política, economia solidária, design, religião, índio, folclore brasileiro, samba, carnaval, literatura infantil, ciência, criança,
desenho animado, cinema, plantas, minhocas, compostagem e um montão de outras coisa. É adepta da
filosofia de vida "é pra frente que se anda".

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